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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Grandes Estilistas da História da Moda

ELZA SCHIAPARELLI - A dona do Pink!
Elza Schiaparelli nasceu em Roma, em 1890. Foi uma jovem rebelde e contestadora, à frente do seu tempo. Aos 20 anos publicou uma antologia de poemas eróticos, o que lhe rendeu como punição viver em um internato. Elza fez greve de fome e conseguiu absolvição do seu castigo. Estudou filosofia, esculpia e pintava quadros. Casou com o filósofo inglês William de Wendt aos 24 anos, com quem teve sua única filha, Gogo. O impulso para a carreira de estilista veio com fim de seu casamento, fato que a deixou em difícil situação econômica. Mas apesar do pouco dinheiro, Elza era bem nascida (sobrinha de Giovanni Schiaparelli, ilustre astrônomo), tinha amigos importantes, como Paul Poiret, quem lhe incentivou a abrir sua loja, em 1927. Por sua ligação com a arte, Schiaparelli tinha como fonte de inspiração o surrealismo e o cubismo. Uma grande inovação na época foi o vestido de organza de seda, com motivo de lagosta, usado por Wallis Simpson em 1937, futura duquesa de Windsor, resultado da arte do seu amigo Salvador Dalí, que empregava lagosta em suas obras, como o telefone-lagosta, de 1936.



Além de fundir moda e arte, foi também pioneira a desenvolver coleções temáticas e a usar zíperes em vestidos, até então usados apenas em trajes utilitários e bagagens. Entre outras excentricidades de Schiap, como se referia a si mesma, estão estampas de notícias de jornais em lenços e écharpes, moscas em vestidos, o tailleur escrivaninha, com bolsos que imitavam gavetas. Inovou também nos chapéus e nos sapatos.
Seu estilo excêntrico e conceitual provocou forte rivalidade com a também genial Coco Chanel, de estilo oposto, funcional, priorizando a elegância com simplicidade. As duas não disfarçavam seu desafeto mútuo, o que rendia fofoca para o público, lucro para a imprensa da época, e fama para as protagonistas, que sabiam aproveitar o marketing das suas rixas.
Outra característica da obra de Schiap é o uso das cores fortes, entre elas, o rosa choque, criado pela estilista. “Eu dei ao rosa um pouco do vermelho, um rosa novo, um rosa real, um rosa chocante”, decreve sua descoberta. A cor foi então largamente usada em sua criações e freqüentemente faz parte das cartelas atuais.
Um outro grande sucesso de Schiaparelli foi o lançamento do perfume “shocking”, em 1938, referente à cor “shocking pink”. O frasco do perfume causou polêmica por ter o formato de um busto feminino, desenvolvido pela pintora surrealista Leonor Fini.
Em 1939, decidiu fechar sua Maison por causa de segunda guerra mundial e foi para os Estados Unidos. Ao voltar à Paris, em 1945, reabriu as portas de sua loja. Porém os tempos eram outros, Schiap não acompanhou as mudanças sociais e econômicas e após anos de dificuldade financeira, fechou definitivamente sua Maison em 1954. Lançou um livro de memórias, intitulado “Shocking Life”, Vida Chocante.Elsa Schiaparelli morreu em 1973, aos 83 anos.
Além do legado na moda, Elza deixou duas netas que herdaram sua veia artística, a atriz americana Marisa Berenson e a fotógrafa Berry Berenson, que estava em um dos aviões que se chocou com uma das torres gêmeas em 2001.

Ana Leopoldina Simões

1 comentários:

Lila Dourado disse...

A Moda sempre foi uma aliada da História, fonte de inspiração artística e de efeitos políticos, no que retratou e na linguagem que configura.
Elza Schiaparelli é um dos exemplos que se identifica ! Parabéns Ana ,por trazê-la aqui!
http://queroupavestirei.blogspot.com/

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